A morte de Marília Mendonça, dona da voz sertaneja mais importante dos últimos tempos, deixou o Brasil de coração partido na sexta-feira passada. Foi quase impossível acreditar na partida repentina da estrela, no auge dos seus 26 anos, mesmo acompanhando, por meio de veículos de imprensa do mundo todo, as informações sobre o acidente aéreo que vitimou a cantora e mais quatro pessoas em Minas Gerais. Para os fãs, foi um verdadeiro pesadelo sem fim. 

Hoje, faço um tributo à memória da rainha da sofrência, artista de quem sempre serei fã e tive a oportunidade de conhecer pessoalmente.

Dos bastidores ao estrelato

Compositora desde os 12 anos, Marília escreveu canções para grandes nomes do sertanejo, como Jorge & Mateus, João Neto & Frederico e Henrique & Juliano. Ela só saiu dos bastidores em 2016, quando conquistou o público com Infiel, que, até hoje, é uma das músicas mais tocadas nas rádios no país inteiro.

Além da importância musical, Marília usava sua relevância e influência para dar voz às mulheres: impressionava pelo dom de contar histórias de amor, traição e superação pela nossa perspectiva. O Brasil se rendeu à eterna rainha da sofrência já no lançamento do seu primeiro disco: Marília Mendonça – Ao Vivo.

Boas lembranças e legado marcante

Entrevistei Marília em duas oportunidades. Nos bastidores de shows que ocorreram em Porto Alegre, em 2018 e 2019, com promoção da rádio 92 (92.1 FM), ela sempre se mostrou solícita com a imprensa e os admiradores do seu trabalho.

No encontro de 2019, Marília estava grávida de Léo, um ano e 10 meses, fruto de seu relacionamento com Murilo Huff.

Na época, sofria com os enjoos típicos da gestação e, mesmo sem ter obrigação alguma de atender quem estava esperando para tirar fotos, pedir autógrafos ou entrevistas, como era o meu caso, fez questão de se conectar com todos que estavam na sua volta. A paixão pela profissão era nítida, assim como a humildade e a simplicidade, independentemente do fenômeno que havia se tornado.

A fotógrafa Vic Martins, minha amiga, me disse:

– No fundo, acho que a Marília tinha um pouco de cada brasileiro. Com um jeito único, fazia com que todos se identificassem de alguma forma. Ela unia pessoas que pareciam não ter nada a ver. Isso é coisa de quem tem uma luz diferente.

Gratidão

De fato, concordo com cada palavra da Vic. Até mesmo quem não curte música sertaneja sempre soube da importância da cantora e respeitava sua trajetória. Só podemos agradecer pela existência desta mulher incrível, que fez muito pelo movimento feminista e deixou um legado marcante, que ultrapassará gerações.

Temos sorte de ter vivido na mesma época de Marília Mendonça!